Para desejar feliz ano novo e muita

VAI, ANO VELHO - AFFONSO ROMANO DE SANT'ANNA

VAI, ANO VELHO, VAI DE VEZ

VAI COM TUAS DÍVIDAS

E DÚVIDAS, VAI, DOBRA A EX-

QUINA DA SORTE, E NO TRINTA E UM,

A MEIA NOITE, ESGOTA O COPO

A CULPA DO QUE NEM LEMBRO

E ME CRAVOU ENTRE JANEIRO E

DEZEMBRO.


VAI, LEVA TUDO: DESTROÇOS

OSSOS, FOTOS DE PRESIDENTES

BEIJOS DE ATRIZES, ENCHENTES

SECAS, SUSPIROS, JORNAIS.


VADE RETRUM, PRA TRÁS,

LEVA PRA ESCURIDÃO

QUEM ME ASSALTOU O CARRO,

A CASA E O CORAÇÃO.

NÃO QUERO TE VER MAIS, SÓ DAQUI A ANOS,

NOS ANAIS, NAS FOTOS DO NUNCA-MAIS.


VEM, ANO NOVO, VEM VELOZ,

VEM EM QUADRIAS, ALADAS, ANTIGAS

OU JATOS DE LUZ MODERNA, VEM,

PAIRA, DESCE, HABITA EM NÓS,

VEM COM CAVALHADAS, FOLIAS., REISADOS,

FITAS MULTICORES, RABECAS, VEM COM

UVA E MEL E DESPERTA

EM NOSSO CORPO A ALEGRIA,

ESCANCARA A ALMA, A POESIA, E POR UM

INSTANTE, ESTANCA

O VERSO REAL, PERVERSO

E SACIA EM NÓS A FOME

- DE UTOPIA.

 

VEM  NA  AREIA  DA  AMPULHETA  COM  A

SEMENTE QUE CONTIVESSE OUTRA SE-

MENTE QUE CONTIVESSE OU-

TRA SEMENTE OU PÉROLA

NA CASA DA OSTRA

COMO SE

SE

OUTRA SE-

MENTE PUDESSE

NASCER DO CORPO E MENTE

OU DO UMBIGO DA GENTE COMO OVO

O SOL A GEMA DO ANO NOVO QUE ROMPESSE

A PLACENTA DA NOITE EM VIVA FLOR LUMINSESCENTE.


ADEUS, TRISTEZA: A VIDA

É UMA CAIXA CHINESA

DE ONDE BROTA A MANHÃ.

AGORA

É RECOMEÇAR.

A UTOPIA É URGENTE.

ENTRE FLORES E URÂNIO

É PERMITIDO SONHAR.

Em casa...

Estive em casa e foi como deveria ter sido: Conde Drácula rolando nas terras da Transilvânia, pra recuperar forças. Não sei o que dizer das mesmas ruas, com pessoas diferentes e outros caminhos, diversos dos que eu previa...

Fui com Nanda pra Abaíra e lá estava a minha família, de "painho a Brenda". Painho em casa era outra pessoa, diferente do que esteve no hospital. Mãinha parece estar mais brilhante e a ceia e o presépio de Natal transbordam a fé e a devoção dela em seus mínimos pormenores.

Meu aniversário... A primeira comemoração foi ótima, com a lua cheia brindando a minha nova idade. O resto... nunca dá certo de comemorar direito, mas ganhei um presentinho da Rede Globo e revi cenas de minha infância que me turvaram os olhos, transbordaram mesmo...

O futuro... esta é uma incógnita que me persegue. De uma coisa faço questão: que o meu novo ano seja a minha casa em cada segundo amigo ou algoz...

Em casa, outra vez...

Estou indo pra casa no fim de semana. Vou passar Natal lá com a família e Nanda foi convidada pra estar com a gente lá. Mas eu nem quero falar do Natal, até porque não gosto muito mesmo da data, porque nunca dá pra comemorar meu aniversário direito mesmo... Quero falar de minha casa, ou até do conceito disso.

Ontem pela manhã eu estive em casa por alguns instantes e estava de olhos abertos, mas vi a grama, os pés de milho, canaviais, muita fruta, chão batido. Eu, meu canivete e o fundo de minha casa. Hoje lá abriram uma rua, mas ainda tem a essência do que vivi. Vai mudar a aparência daquele lugar, mas na verdade vai ser sempre meu, terá sempre a mesma energia.

Me deitei na grama e rolei de rir, me sentindo em casa. Rolei sentindo o sol nascendo e sorria pra ele, sorria pra manhã, sentindo na boca o gosto bom de estar viva e em casa, com a alma acolhida no seio do conceito do que é pra mim minha casa... Naqueles instantes eu pude saber o que é ter um lugar só seu no mundo. Lá eu não preciso estar fisicamente pra saber que é meu. Lá eu só preciso ter dentro da alma, mas confesso que quero minha casa pra mim...

Da última vez que estive lá, não gostei muito. Faltavam pessoas que não deveriam estar faltando. A casa sem mãinha e painho, sem o fogo amigo do fogão de lenha, sem as conversas no quintal... Enfim, faltava alguma coisa.

Nesse meu "estar em casa" de ontem pela manhã não faltou nada, nem o riso frouxo, a disposição juvenil, a traquinagem infantil... Não faltou amor por minha casa. Nunca faltará isso... Faltou somente eu ser criança outra vez, livre e sem preocupações. Aí sim, eu voltaria pra casa ou levaria minha casa nas costas pra onde quer que eu quisesse ir...

Girabelhinhas

Hoje tá tendo mum show na praça, mas eu tô muito desanimada pra ir... É de Dércio Marques, um violeiro... Conheci essa música ontem através de Lívia e resolvi postar. O nome é Girabelhinas e fala de amor de um jeito tão lindinho... lê aí pra ver!

Girabelhinhas
Dércio Marques

Uma abelhas dessas pequeninas
pousou numa foto de uma flor
e um romance todo feito em cores
foi se revelando, fez-se amor

Carregou a foto pra colméia
e explicou o caso pra rainha
e essa que era sábia foi dizendo
Será que você tá piradinha?

Esse girassol aí não vale nada
é bonito mas não passa de papel
nunca vai lhe dar perfume, pólen, filhos
e aqui nós precisamos é de mel

Embrulhou a foto e as suas roupinhas
e voou em busca de um cantinho
pra viver seu sonho de verdade
sem rainhas pra encher seu saquinho

E hoje existe um lugar na terra
onde há guirassóis que têm asinhas
e abelhas que voam com pétalas
e um mundo novo cheio de girabelhinhas

...

Penso sem trégua e fujo da mágoa
Corro do tempo, busco o beijo do vento.
As coisas estão no mesmo lugar
Eu estou indo noutro rumo
A casa reverbera o meu silêncio
A alma busca alegrias infindas
Minhas mãos buscam os sonhos mais lindos
E a vida vai sorrindo das minhas confusões...

O sorriso do gato de Alice...

 

 

Estou andando num campo, entre flores... Vez em quando paro pra colher algumas. Olho pra frente, mas esse campo me deixa confusa. Não sei qual é a direção certa que vai me levar à frente. Paro. Sinto o perfume das flores e por vezes meu coração parece querer parar ou explodir. Então olho pros lados e vou colhendo as flores que eu consigo alcançar. Algumas vão caindo pela estrada, formando uma trilha colorida e perfumada.

Continuo andando. Preciso encontrar. Sei que está em algum lugar por aqui... procuro meus sorrisos. Vasculho por entre as flores, olho em cada uma delas e mas parece não estar em lugar algum por aqui. Sigo procurando, flores nas mãos, um rosto severo, uma vontade sincera de que essas flores me devolvam o sorriso e não as tomem minha alegria pra si.

É porque eu começo a acreditar que o perfume que elas exalam é eito do meu sorriso e do sorriso de muita gente por aí, que teve alguns sonhos roubados e ainda não conseguiu esquecer desses sonhos e seguir em busca de outros...

Ou talvez seja o mundo o ladrão de sorrisos. Acho que eu poderia ainda procurar o sorriso do gato de alice, mas eu acho que alice sou eu, mas cadê as maravilhas? As quero muito...

Pra aliviar meu inferno astral...

 Mantra

Composição: Nando Reis / Arnaldo Antunes

Quando não tiver mais nada
Nem chão, nem escada
Escudo ou espada
O seu coração... Acordará

Quando estiver com tudo
Lã, cetim, veludo
Espada e escudo
Sua consciência... Adormecerá

E acordará no mesmo lugar
Do ar até o arterial
No mesmo lar, no mesmo quintal
Da alma ao corpo material

Hare Krishna Hare Krishna
Krishna Krishna
Hare Hare
Hare Rama Hare Rama
Rama Rama
Hare Hare

Quando não se têm mais nada
Não se perde nada
Escudo ou espada
Pode ser o que se for... Livre do temor

Hare Krishna Hare Krishna
Krishna Krishna
Hare Hare
Hare Rama Hare Rama
Rama Rama
Hare Hare

Quando se acabou com tudo
Espada e escudo
Forma e conteúdo
Já então agora dá... Para dar amor

Amor dará e receberá
Do ar, pulmão; da lágrima, sal
Amor dará e receberá
Da luz, visão do tempo espiral

Amor dará e receberá
Do braço, mão; da boca, vogal
Amor dará e receberá
Da morte o seu guia natal

Adeus dor

Hare Krishna Hare Krishna
Krishna Krishna
Hare Hare
Hare Rama Hare Rama
Rama Rama
Hare Hare

Alysson, alma rara...

Queria cantar uma lôa prum amigo, irmão de alma. Alysson, eu te amo! Deus estava num momento ímpar de inspiração divina quando você foi forjado. Taís, você tem a missão e a responsabilidade de andar com esse menino, tornando os caminhos dele mais belos, menos fatigantes, mais colorido e longe de solidões.

Ele acaba de me mostrar esse poema aqui e, com a devida licença do poeta, ainda sem título...

ando tão pouco em esquecimentos
que nem poderia sequer inventar uma outra memória
para nela estabelecer os enganos do meu sêmen infecundo
desenlaçar todos os dias
o miolo do pão murcho
a comida
não!
definitivamente não quero apenas a casca seca
que se esfarela ao mais leve toque
se figure o encanto do prazer de comer, embebedar-se
ai! quero bailar, dançar valsa sobre os mares
escafrandista do mais profundo ventre da mulher
que outrora me prometeu ensinar a valsa que
meus pés não páram mais de obedecer
vou ninar essa criança que pensei ter sabido
pois meu coração vai leve, tão leve
amando por esse menino, nessa barriga
que assim seja
se refugie o meu delicado
pouco importando o resto
aliás nunca deveria causar danos
engulo o choro
ouço o marulhar longe
e sigo entre laranjais pedindo ao meu amor que volte
caduco de caminhos
pois me dizem alguns a ir por ali, por acolá
não sabem eles
essa estrada... não se diz.

Ouvindo Angela RoRo...

Estou agora numa Lan house, ouvindo Angela Ro Ro e me virando com um teclado desconfigurado... Naum reparem a falta de acentos. Eu tambem ando desacentuando as rugas na minha testa.

Ando pelas ruas meio que saltando, chutando as pedras. Ando olhando o ceu longamente em varias horas do dia. Tenho feito as unhas e as sombrancelhas. Tenho me olhado mais no espelho e pensado mais no meu umbigo.

Ouvindo Angela Ro Ro, me lembrei de Cleidinha, minha tia que ajudou a me criar. Ela arrumava a casa ouvindo musica e cantando bem alto e Angela Ro Ro fazia parte do repertorio. De Cleidinha, herdei mais que o gosto musical, mas um pouco da lealdade teimosa. Do sofrer exacerbado...

Enquanto posto, rola Fogueira, uma das que eu mais gosto. Com voces, Angela!!! Linda!!!

Fogueira
Ângela Ro Ro

Por que queimar minha fogueira,
e destruir a companheira?
Por que sangrar o meu amor assim?
Não penses ter a vida inteira
para esconder teu coração
Mais breve que o tempo passa,
vem em galope meu perdão.
Por que temer a minha fêmea,
se a possuis como ninguém?
A cada bem do mal do amor em mim...
Não penses ter a vida inteira
Para roubar meu coração
Cada vez é a primeira
do teu também serás ladrão
Deixa eu cantar
aquela velha história,
o amor...
Deixa eu penar,
a liberdade está (também) na dor...
eu vivo a vida a vida inteira
a descobrir o que é o amor,
breve pulsar do sol a me queimar;
não penso ter a vida inteira
para guiar meu coração;
eu sei que a vida é passageira,
e o amor que tenho não...
Quero ofertar
a minha outra face à dor;
mas deixa eu sonhar
com a tua outra face, amor...

Domingos de manhã na minha casa...

Fui com Murilo ao show de abertura do Natal da Cidade. Se apresentou um Terno de Reis, o Maestro João Omar e Renato Teixeira. Foi um show maaravilhoso, que me trouxe lágrimas ao lembrar mãinha à beira do fogão de lenha, painho sentado assistindo ao Som Brasil e eu e meus irmãos brincando e assistindo também.

Adoro o estilo de Renato Teixeira e vou deixar uma letra linda dele. Poderia ser Amanheceu, que é um ícone, ou Romaria, ainda tantas outras, mas essas são as que me deixam mais sensível...

Sensibilidade... falando nisso, comentei com Mu que hoje eu tive a impressão de que parecia haver alguma coisa suspensa entre a terra e o céu, e fazia com que eu me sentisse assim também: suspensa. É uma sensação estranha, porque você tem certeza de que o mundo tá tentando te dizer alguma coisa e você não conhece o idioma que ele usa pra falar contigo. Pode ser uma coisa boa, um presságio, ou um anúncio duma tragédia, ou ainda um breve comentário sobre o dia, mas você não sabe aquela língua...

Olhos Profundos

(Renato Teixeira)

Feito um menino que permite ao coração
Sair correndo sem destino ou direção
Que vire vento e sopre feito um furacão
Que nesse fogo por amor eu ponho a mão
E até permito as cantorias da paixão

O velho barco toda vez que vê o mar
Fica confuso, com vontade de zarpar
E ver o mar às vezes bem que é preciso
Pra ter certeza de ainda estar-se vivo
Mesmo que o casco esteja velho e corroído

Como uma estrada que vai dar não sei aonde
Por meu destino o coração é quem responde
Braços abertos pra se ver a luz do peito
Com grande amor que seja puro amor refeito
Olhos profundos não me olhem desse jeito

Um poema de Florbela Espanca, só porque o acho lindo. Só pra encerrar mais uma vez o dia com poesia...

Languidez

Florbela Espanca

Tardes da minha terra, doce encanto,
Tardes duma pureza de açucenas
Tardes de sonho, as tardes de novenas,
Tardes de Portugal, as tardes de Anto,

Como eu vos quero e amo! Tanto! Tanto!
Horas benditas, leves como penas,
Horas de fumo e cinza, horas serenas,
Minhas horas de dor em que eu sou santo!

Fecho as pálpebras roxas, quase pretas,
Que poisam sobre duas violetas,
Asas leves cansadas de voar...

E a minha boca tem uns beijos mudos...
E as minhas mãos, uns pálidos veludos,
Traçam gestos de sonho pelo ar...

ENTÃO PINTEI DE AZUL OS MEUS SAPATOS

POR NÃO PODER DE AZUL PINTAR AS RUAS,

DEPOIS VESTI MEUS GESTOS INSENSATOS

E COLORI MINHAS MÃOS E AS TUAS.

CARLOS PENA FILHO

*Reproduzido da agenda do PSTU de 2005, na chamada para o mês de junho...

Ouvindo Paratodos...

A casa me parecia uma bagunça. Não havia louça suja na pia, nem móveis empoeirados ou mesmo fora do lugar. Todas as janelas estavam abertas e o vento passeava pelos cômodos como a escrutinar o lugar onde eu vivo. Nas últimas pouco mais de 30 horas, aquele lugar me parecia inabitável. Parece que quando você está uma bagunça sentimental, suas coisas refletem e a desordem interior transborda. Eu estava uma bagunça muito grande...

Queria mesmo era sair e buscar o vento na cara, como quem segue a passear com ele por companhia, Paratodos de Chico... Vou gingando, arriscando uns passinhos ouvindo Biscate. Ando pelo meio da rua e vez por outra chuto uma pedrinha.

Dou uma parada na esquina e olho o céu. As estrelas piscam pra mim como a desejar boa noite. A lua ainda não apareceu para minguar uma ligeira sensação de solidão, mas logo os acordes de Futuros amantes invade minhas veias. Acendo um cigarro e sigo andando e assoviando junto com o cd. Passa um cachorro que resolve me acompanhar e então lá vamos nós seguindo pela rua, ambos silenciosos. Vou soltando a fumaça, e ouço a voz de Tom Jobim, cujo aniversário de falecimento é dia 12. Ouço Tom, solto a fumaça, sinto o vento e me lembro mais uma vez que preciso parar de fumar. Mesmo assim dou mais uns tragos e dou um 'peteleco' e lanço longe a bituca.

Resolvo mudar de calçada e meu fiel amigo, o cachorrinho vem logo atrás, parando aqui e ali pra farejar sabe-se Deus o quê. Vou andando, ouvindo Chico, sambando aqui e ali. A rua está tão deserta quanto eu, então resolvo andar no meio dela, olhando pra frente, sem ver a rua. Não enxergo o caminho direito. Apenas ouço a música, sinto o abraço do vento e procuro a lua no céu...

Mas em vez de sentir o vento andando pela rua, ouço Chico por aqui mesmo. Nem sei direito o que estou pensando, mas sei que gosto de pensar coisas simples, lua, estrela, rua, samba... Acho que isso pode ser defesa pra não arrumar a impressão de bagunça em mim instalada... De qualquer maneira, sinto entrando pelas veias todas as notas, as mínimas nuances de Choro Bandido.

Victor Hugo

Não há nada como o sonho

para criar o futuro

Utopia hoje, carne e

osso amanhã.

 

Sensibilidades femininas...

Tem dias em que você fica muito mais sensível a todas as coisas que te cercam e nem precisa ter motivo, mas o meu é simples e mensal: sou mulher. Hoje foi dia de pavio curto, de chorar lendo poesia, de achar o por do sol maravilhoso e detestar o centro da cidade, de pensar em você e no que quer da vida, no que você considera justo ou injusto... Parece que num desses momentos  um compartimento bem secreto de seu cérebro se abre e você tem a chance de entender coisas das queis tem fugido, se escondendo de sua própria alma...

Hoje pensei em mim e no que eu quero da vida. Quero o mellhor de tudo. O céu não é o limite, talvez um objetivo. Decidi que pra isso acontecer, preciso me esforçar pra não ter medo de nada, e se for preciso pular no precipício, que venha a queda, com vontade de voar! O meu verbo de agora em diante é viver, mas essa vida tem que sair de todos os poros, intensa, imensa...

 

Quando eu crescer...

Comprei uma agenda hoje e comecei a ler as poesias que vêm nela. Percebi naquelas páginas uma certa sensibilidade, hoje mais exacerbada que eu percebo noutros dias. Hoje eu estou comigo mesma à flor da pele.

Lendo aquelas poesias, percebi a poesia que borbulha em mim. Quando eu crescer, quero aprender a burilar as palavras, construir um belo poema, cujas palavras tenham sido feitas uma pra outra e só faltava alguém que as juntasse em ritmo suave e emocionado. Quero escrever poesia nos muros, nas portas, nas casas, nas árvores, ruas, praças... Quero escrever poesia como quem respira...

Enquanto ainda não aprendo a arte de casar as palavras num matrimônio indefectível, deixo um dos poemas que li hoje. É de Pablo Neruda (1904-1973), pseudônimo de  Neftalí Ricardo Reyes Basoalto. Neruda, poeta chileno, alternou sua literatura com a diplomacia e era o embaixador do Chile quando Allende foi derrubado. Para conhecer um pouco mais dele, basta ver o filme O Carteiro e o Poeta (foto), que conta um pouco do exílio do poeta na Itália e fica muito amigo do carteiro que cuidava de sua correspondência. O filme é lindo!!!!

A Noite na Ilha

Dormi contigo a noite inteira junto do mar, na ilha.
Selvagem e doce eras entre o prazer e o sono,
entre o fogo e a água.
Talvez bem tarde nossos
sonos se uniram na altura e no fundo,
em cima como ramos que um mesmo vento move,
embaixo como raízes vermelhas que se tocam.
Talvez teu sono se separou do meu e pelo mar escuro
me procurava como antes, quando nem existias,
quando sem te enxergar naveguei a teu lado
e teus olhos buscavam o que agora - pão,
vinho, amor e cólera - te dou, cheias as mãos,
porque tu és a taça que só esperava
os dons da minha vida.
Dormi junto contigo a noite inteira,
enquanto a escura terra gira com vivos e com mortos,
de repente desperto e no meio da sombra meu braço
rodeava tua cintura.
Nem a noite nem o sonho puderam separar-nos.
Dormi contigo, amor, despertei, e tua boca
saída de teu sono me deu o sabor da terra,
de água-marinha, de algas, de tua íntima vida,
e recebi teu beijo molhado pela aurora
como se me chegasse do mar que nos rodeia.

Pablo Neruda

Sentimental...

Tenho ouvido Los Hermanos sem parar, mas eu sempre amanheço encasquetada com uma só música, que ouço no repeat trocentas vezes por dia. A de hoje é Sentimental, do Rodrigo Amarante (amamos você, Amarante!!!!!). Resolvi deixar a letrinha dela pra quem quiser conferir. Ah! E pelo site dá pra ouvir também, aliás, essa e os três cds do LH, mais umas rádios, massa. O site deles é massa...

Sentimental é uma música como deveria ser. Sua melodia casa com as palavras e o arranjo também faz parte do casamento. O Rodrigo dá um show! Mu hoje estava falando dele no show, do quanto é intenso... Afe! Bom demais!!!

Bem, então, com vocês, Rodrigo Amarante e Sentimental! Aplausos, senhores...

Sentimental

O quanto eu te falei que isso vai mudar. Motivo eu nunca dei.
Você me avisar, me ensinar, falar do que foi pra você,
não vai me livrar de viver
Quem é mais sentimental que eu?!!...  
Eu disse e nem assim se pôde evitar.

De tanto eu te falar você subverteu o que era um sentimento e assim
Fez dele razão... Pra se perder no abismo que é pensar e sentir.
Ela é mais sentimental que eu !! 
Então fica bem ... Se eu sofro um pouco mais.

"Se ela te fala assim, com tantos rodeios, é pra te seduzir e te ver
buscando o sentido daquilo que você ouviria displicentemente.

... Se ela te fosse direta, você a rejeitaria."

- Eu só aceito a condição de ter você só pra mim.
- Eu sei, não é assim, mas deixa eu fingir... e rir.

Olhando pro céu...

Estive ontem observando o céu em diversas partes do dia... Eu vi a hora que amanheceu e eu ainda insone, procurava a lua ou aalgumas estrelas no céu. Fui dormir. A primeira coisa que vi quando abri os olhos foi o azul estonteante do céu pelos vidros da janela. Um dia como esse será especial, com certeza! Especial não quer dizer só felicidade, só coisa boa... É um dia bom pra mergulhar em si mesmo e repensar um monte de coisa na vida.

A tarde morna, daquele tipo que em algumas vezes a temperatura aumenta uns graus, mas nada escaldante. Um copo de vinho, um cigarro, pensamentos, o céu azul todo bordado de nuvens. Brinco de achar formas nas nuvens... adoro isso. Outro dia vi um anjo! Hoje não. Hoje só olhava o horizonte, como quem tenta ver um lugar que nem conheço, porque procuro idealizando, então pode nem existir...

Assisti ao pôr do sol com Lene e Tancredo, pela janela. Momento mágico o do crepúsculo, quando o céu fica tingido de tantas cores quanto minha imaginação possa absorver. Momento em que o sol deixa um rastro de cores pra que sua luz não nos cegue da lua, quando ela sai. Alguém comentou que o momento em que você vê o sol se pondo ou nascendo, sua alma se encontra com a energia do mundo, ou algo bem parecido com isso... Nem sei se é verdade, mas ontem foi o que eu tentei fazer: mergulhar na energia do mundo que há dentro de mim, borbulhante.

A primavera está fria aqui e a lua minguava. Saí rua pra perambular um pouco, deixar o vento bater em minha cara e a lua pratear meu sorriso frouxo. A rua estava cheia de amigos, conversei com alguns e pensei também nisso: preciso rever um monte de gente de quem deu saudade. Colocar o papo em dia, ouvir novas opiniões, velhas histórias... De novo em casa, mais uma espiada na lua. Mais pensamentos desfilam: me apaixonei pela lua! Ela ficava de lá me olhando e eu sei que nem me via. Meu rosto recebia um afago de sua luminosidade e ela ficava refletida em meu olhar, fixo nela, conversando com ela de olho fechado, tentando prescrutar-lhe os pensamentos auscultar a alma... Resolvi então deixar aqui ma homenagem à minha dama da noite, à Lua...

MELODIA SENTIMENTAL
(Heitor Vila-Lobos - Dora Vasconselos)
Acorda, vem ver a lua
Que dorme na noite escura
Que surge tão bela e branca
Derramando doçura
Clara chama silente
Ardendo meu sonhar
As asas da noite que surgem
E correm o espaço profundo
Oh, doce amada, desperta
Vem dar teu calor ao luar
Quisera saber-te minha
Na hora serena e calma
A sombra confia ao vento
O limite da espera
Quando dentro da noite
Reclama o teu amor
Acorda, vem olhar a lua
Que dorme na noite escura
Querida, és linda e meiga
Sentir meu amor e sonhar

Pensando alto...

Relacionamento humano é engraçado. Ninguém é igual a ninguém, por isso ninguém é obrigado a ser como o outro quer que se seja. Sou daquelas "Gabriela", "Eu nasci assim, eu cresci assim, vou ser sempre assim, Gabrieeeeeelaaaa!" Não acho que esteja eu a viver  errado, porque procuro ver algum lado bom em qualquer situação. Sou mais feliz e durmo mais tranquila que muita gente por aí. Acredito na coisa de Yin yang, todo bem tem uma parte de mal e vice versa...

Toda vez que eu falo em relacionamento, lembro logo de família... eu tento apenas não ser hipócrita tratando a todos como gostaria de ser tratada por eles. Aliás, isso é o que eu tento fazer o tempo inteiro, com todas as pessoas... Acho que por isso reajo imediatamente quando sou tratada de uma forma que não gostaria de sê-lo.

Além do mais, como todo bom capricorniano, tento ter a justiça e a rsponsabilidade sempre em mente e se os meus olhos mudam de direção, buscam outras metas mais seguras, mais vantajosas...

The winner is...

Pois é. Provando que sinuca não é "coisa de homem", eu fiquei em primeiríssimo lugar com folga, Márcia no segundo e nosso amigo João amargou um último lugar. Perdeu pras gurias! Foi legal o jogo. Fomos pra a velha e boa Rinha de Galo, tivemos que esperar uma banca, mas quando começamos, aí já sabe...

Estive comentando com minha amiga Márcia o que me faz frequentar apenas e sempre os mesmos bares, em geral, botecos. Só vou ao Paraki, também conhecido como "Paraca" ou "ParaLoucos", à Rinha e vez por outra ao Ponto G. É que Na rinha tem Dudu e nop Paraca, o grande Evandro. Atendimento vip, porque já conhecem basicamente todos os frequentadores. Cinzeiros e mesa sempre limpos, copos trocados de tempos em tempos, banheiro utilizável e em 80% das vezes, com papel e sabonete na pia. Som de primeira. O ParaLoucos e seus Janis Joplin, Led Zeppelin, Chico Science, O Rappa, dentre tantos. Na Rinha, Alpha Blondy, Bob Marley, muito reggae. Ponto G, pelo menos não toca Arrocha nem nunca ouvi Bruno & Marrone, dentre tantas desgraças. Em todos, rola aquele cd que você levou de casa e pediu com jeitinho e até sem feitinho também.

Dia 11 tem show de reggae, com a banda de reggae Adarrum Orishas, do meu mano Uiá. O primeiro foi massa e hoje meu amigo Dudu falou pra mim que no dia do show, freguesas especiais como nós ganhariam cortesia. Ueba! Como é bom ser amiga do dono do bar!!! Ê beleza! Acho que no fim das contas, eu só frequento os bares dos amigos...

Sinuca...

Cara, já faz uns bons dias que eu tô louca de vontade de jogar sinuca. Tem tanto tempo que eu não jogo, que devo estar passando a maior vergonha na banca. sou daquelas que só vai embora quando o dono do boteco manda, depois de já ter fechado as portas há horas atrás. Hehehehe!

Adoro sinuca e fico irada quando não "posso" entrar num boteco pra jogar umas partidinhas de par ou ímpar, porque há testosterona demais no local e uma dama acaba sendo o centro das atenções e piadinhas infames... Bah! Odeio isso! Mundo machista! Em pleno século 21, ainda há essa divisão tola entre "coisa de homem" e "coisa de mulher". Eu gosto de jogar sinuca, então eu jogo e pronto. Se eu decidir ser caminhoneira, motorista de ônibus, taxista, chefe de segurança, o escambau, acho que só diz respeito a mim!!

 

Bem, mas depois de um jejum de dias e dias, minha amiga Márcia está a caminho para darmos umas tacadinhas. Uebaaa! Adoro jogar, ainda mais com Marcinha. Também podia ser Drica, Vílson, Arlei, Tininha, enfim, qualquer um da minha galera de sinuca. A gente se entende bem nessas pelejas, porque o jogo é "pau a pau". A gente sabe quase o mesmo tanto que o outro, então fica menos desigual o jogo...

Bem, é isso então! Nada melhor que sinuca, e um bom papo furado, talvez uma ou outra cervejinha... Hasta la vista!

Rss...

Murilo me apresentou um blog, o gb-log, que por sua vez, apresenta-nos o 10 by 10, que scaneia os três sites das agências noticiosas de maior prestígio, BBC, Reuters e o do New York Times, escolhe as 10 palavras mais importantes que estão rendendo assunto naquele momento, e as apresentam em um mosaico de imagens relativas aos fatos que elas linkam.

Eu gostei do que vi até agora. É bem rápido, eficiente e um site bonito. Resta saber se o que esse scaneamento considera relevante é mesmo o que há de mais quente naquele momento. Vamos dar uma fuçada melhor e ver depois.

A meu ver, é um dos serviços de informação mais completos disponível na internet...

Jesus Christ Superstar

Estes são Jesus e Maria Madalena, na Opera Rock Jesus Christ Superstar, uma obra prima. Este é o filme de que mais gosto na vida. Tinha as duas versões: o original, de 1973 e uma versão mais atualizada de 1996. Devo ter assistido pra mais de 20 vezes cada uma. Já cheguei a assisti-lo mais de 3 vezes no mesmo fim de semana. Hoje fecho os olhos ouvindo a trilha sonora e vejo as cenas das 2 versões se embaralhando... Hehehehe.

Ontem à noite, Duddy esteve aqui e trouxe a versão de 1996 e a concepção original, gravado em 1970 por Ian Gillan. Cara! Tô no céu! Adoro isso! Duddy ainda ficou de conseguir a trilha original do filme em mp3 preu... Vou morrer!! Alysson tá vendo a obra completa de Chico em mp3 pra mim, já consegui um monte de coisa boa em menos de 2 meses. Tô filix!!!

Jesus Christ Superstar conta os 6 últimos dias da vida de Cristo, mas na visão de Judas Iscariotes, quje dá um show em ambas versões que conheço... Na foto ao lado, Judas se prepara para beijar Cristo, entregando-o aos romanos...

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Meu Perfil
BRASIL, Nordeste, VITORIA DA CONQUISTA, ALEGRIA, Mulher, de 26 a 35 anos, Portuguese, Arte e cultura, Cinema e vídeo, namorar!!!
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Moro no Brasil, especificamente na Bahia, em Vitória da Conquista. Sou e gosto de ser mulher, estou com 27 anos, gosto de viver, de namorar e acho que a sinceridade deve ser a essência dos relacionamentos humanos.
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